O sucesso da manutenção de uma frota mede-se, precisamente, pelo que não acontece. Uma avaria evitada, veículos disponíveis ou do cliente que não chega a sentir o impacto de um problema mecânico. É um trabalho estrutural, mas normalmente invisível.
Os pilares da manutenção na TJA
A gestão da manutenção assenta em cinco pilares. A manutenção preventiva planeada reduz avarias e indisponibilidade antes de ocorrerem. A monitorização em tempo real através de telemática acompanha o estado dos veículos, com particular relevância nas viaturas de temperatura controlada, onde identificar uma anomalia com antecedência permite programar a intervenção em vez sofrer com o revés de agir na reação. A renovação contínua da frota substitui veículos por unidades tecnologicamente mais avançadas, reduzindo custos de manutenção e aumentando a fiabilidade. O cumprimento dos requisitos legais e técnicos, especialmente crítico nas operações de transporte frigorífico e de mercadorias perigosas, garante segurança e conformidade. E o controlo permanente da disponibilidade operacional assegura o máximo de veículos possível prontos para o serviço.
Destes pilares, a manutenção preventiva é o que mais define a estratégia. Garante a continuidade das operações, reduz custos, aumenta a competitividade da empresa e prolonga a vida útil dos equipamentos.
Planear para não reagir
Gerir a manutenção de uma frota com esta dimensão e diversidade de veículos, tratores, camiões rígidos, semirreboques, cisternas, viaturas frigoríficas, veículos movidos a combustíveis alternativos e veículos 100% elétricos, coloca desafios próprios. Planear intervenções sem comprometer o serviço, reduzir tempos de imobilização, controlar custos, gerir o desgaste de veículos com elevada quilometragem e assegurar peças disponíveis exige uma gestão de recursos permanentemente ajustada.
O plano de manutenção parte das recomendações dos fabricantes, complementadas pela quilometragem, pelo tempo de utilização e pelas condições reais de operação de cada veículo. Sempre que disponíveis, os dados de telemática e os alertas dos sistemas de diagnóstico entram nesta equação, permitindo antecipar em vez de reagir.
Esta antecipação depende de ferramentas concretas. ERP, TMS, sistemas de gestão de manutenção e de frota, plataformas de telemática e GPS geram indicadores como a taxa de disponibilidade da frota, o tempo médio de reparação, o número de avarias por veículo ou o custo por quilómetro. São estes indicadores que orientam as decisões de manutenção.
Este ano, o controlo e a disponibilidade da frota deram um salto significativo com o desenvolvimento interno da plataforma EMS - Events Management System. O objetivo foi agregar todas as ocorrências numa única ferramenta, com visualização em tempo real do que está a acontecer em qualquer ponto da operação, em qualquer tipologia de veículo. As ocorrências são segmentadas por criticidade e o tempo de cada uma é medido, o que permite uma resposta mais rápida e mais eficaz às necessidades reais da frota e da área operacional.
As pessoas que sustentam a manutenção
Nenhuma tecnologia substitui a comunicação entre quem conduz e quem repara. Os motoristas acompanham diariamente o comportamento dos veículos e são frequentemente os primeiros a identificar sinais de anomalia, um ruído fora do normal, uma alteração de desempenho ou um aviso no painel. Quando essa informação chega rapidamente à oficina, a intervenção pode ser planeada antes de uma pequena falha evoluir para uma avaria grave. É esta ligação que evita muitas das imobilizações inesperadas.
A gestão de peças e consumíveis segue a mesma lógica preventiva. Sempre que possível, as necessidades são identificadas com antecedência através do planeamento das manutenções e da análise do histórico de avarias, preparando a intervenção antes do veículo entrar na oficina. Na escolha das peças, privilegia-se o componente OE, ainda que a pressão dos prazos de operação nem sempre o permita. Os parceiros de manutenção são selecionados pela capacidade de resposta, proximidade geográfica, fiabilidade, cumprimento de prazos e conformidade com os requisitos de qualidade e segurança.
A eletrificação está a mudar a profissão
A crescente eletrificação e digitalização dos veículos pesados trouxe também novos desafios à manutenção. Exige uma adaptação contínua dos processos, das competências técnicas e das infraestruturas. Os profissionais de manutenção precisam hoje de conhecimentos mecânicos, elétricos e eletrónicos, mas também de competências específicas para intervir em veículos elétricos e híbridos, incluindo sistemas de alta tensão e os respetivos procedimentos de segurança. A capacidade de interpretar dados gerados pela telemática tornou-se, tanto quanto o conhecimento mecânico, uma competência essencial.
A manutenção de frotas evolui para um modelo cada vez mais digital, preditivo e orientado por dados. A integração crescente de telemática, conectividade e análise de dados vai permitir monitorizar continuamente o estado dos veículos, antecipar falhas com mais precisão e planear intervenções de forma mais eficiente.
O objetivo mantém-se o mesmo de sempre: menos tempo parado, mais frota disponível.


